''...Atchiim'!!!'. Formou-se o pandemônio. O espirro incontido dentro do metrô, foi o suficiente para que todos os passageiros me fitassem como sendo a mais nova terrorista, que acabara de espalhar o vírus da gripe suína.
Lá ficou o miserável instalado inicialmente no metrô da linha C, em sentido à Uptown, em Manhattan, em seguida expalhando-se depois pelas ruas, becos e casas de toda a cidade.
No sentido figurado do problema, é mais ou menos por aí que parte da população aqui pensa. Usar máscara? Entre os famosos é moda, virou até motivo de piada piada, e piada de muito mau gosto!
Não é nada engraçado a maneira como os veículos de comunicação tem transmitido o problema da gripe suína de maneira terrorista, alarmando, criando situações de pânico na população mundial. O vírus está aí sim, houveram centenas de mortes e casos de contaminação ou suspeita; mas também minha gente, existem outras somente com uma simples gripe, como esta pobre criatura que aqui vos relata.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
segunda-feira, 2 de março de 2009
Do celular ao pó compacto
“Ó prá ali que perigo rapaz!”. Essa frase eu disse à minha amiga, às 22h, em frente ao Cristo, na Barra. Eu estava ao volante, ela na carona. O sinal estava vermelho e eu disse isso me referindo a um casal que estava sentado observando o mar, em plena segunda-feira, naquele cenário que já protagonizou inúmeras situações de perigo.
Daphne, como moradora apaixonada e defensora do seu bairro, respondeu-me inocentemente: “Que perigo? Ó a polícia ali”. Ela não enxergou os policiais. Disse isso porque provavelmente os vê uma vez na vida, de motoca, fazendo a ronda faz-de-conta. Eu, mesmo sabendo que ela teria dito aquilo apenas como uma advogada daquele lugar, olhei pela janela procurando o tal policiamento.
E mais uma vez os ditados populares ganhavam credibilidade: o torto realmente fala do aleijado. Estávamos ali, duas meninotas “inofensivas” discutindo sobre a possibilidade dos pombinhos serem assaltados, assassinados, esquartejados, ou sei mais lá o quê, dentro de um carro... e lá vem o detalhe: de vidros abertos. Nós queríamos apenas matar o desejo repentino de comer uma empadinha de camarão e palmito, quando apareceu um pivete, que provavelmente estava ali apenas querendo matar duas garotinhas.
“Passa o celular, passa o celular”. O cara apareceu do nada, de repente, no meio de nossa conversa filosofal sobre “A Problemática da Segurança na Barra”. Coincidência ou não, nós passamos de platéia a protagonistas. O elemento tinha até cara de mal, mas não tinha o principal: talento para a coisa. Na moral... até eu sou mais ladrona do que ele.
Enquanto ele nos ameaçava com uma “faca invisível”, repetindo atordoado, com os olhos cinzas (tipo o de Tempestade, do X-men) que iria esfaquear minha amiga, eu -com dois olhos- conseguia enxergar três coisas simultaneamente: a bolsa (que estava no banco de trás), a sinaleira e o ladrãozinho mal-treinado. Eu pegava a bolsa, utilizando minha super visão periférica para ver se a porra do sinal mudava logo para verde e, não sei como, conseguia observar se a tal faca existia de fato.
Pequeno detalhe: ele implorava pelo celular sem saber que Daphne acabara de sacar R$1.000. Médio detalhe: a grana estava na bolsa, no colo dela, a apenas alguns centímetros de seu alcance. Grande detalhe: ele era tão incompetente que disse: “o sinal abriu, mas nem pense em andar com esse carro.”
Ladrão burro do caralho! Se eu fosse ele teria pegado Daphne, sacudido pelos cabelos e ameaçava logo brutalmente: “Bora sinhás nigrinhas. Passa a desgraça do celular”. E vendo que as idiotinhas estavam conseguindo me despitar eu largava um: “Vamo miséria, passa o caralho da bolsa mesmo.” Diga aí? Eu ia ganhar mil conto fácil fácil sem precisar dizer que estava armada.
Pois é... Mas o cara era tão tapado, que antes de andar com o carro eu ainda me fingi de otária, abri a bolsa e procurei a porra do celular. Mas é claro que eu não ia dar pra ele de bandeja aquele maldito aparelhinho que ainda tem umas 10 parcelas de R$40 para eu pagar. A primeira coisa que apareceu na minha frente foi um pó compacto velho, esfatifado, que sujou minha bolsa toda de marrom. “Vou me livrar dessa sujeira,vou jogar no meio da cara desse idiota, e ele ainda vai pensar que eu joguei o celular”. Eu até que mirei, mas não acertei aquela cara de pau. Só sei que eu engatei a primeira, dei uma buzinadinha querendo dizer “vá tomar no cú seu otário” e fugi do ladrão mais inexperiente que eu conheci em toda a minha vida. Vai ver Daphne tinha razão: a Barra nem é perigosa!
Daphne, como moradora apaixonada e defensora do seu bairro, respondeu-me inocentemente: “Que perigo? Ó a polícia ali”. Ela não enxergou os policiais. Disse isso porque provavelmente os vê uma vez na vida, de motoca, fazendo a ronda faz-de-conta. Eu, mesmo sabendo que ela teria dito aquilo apenas como uma advogada daquele lugar, olhei pela janela procurando o tal policiamento.
E mais uma vez os ditados populares ganhavam credibilidade: o torto realmente fala do aleijado. Estávamos ali, duas meninotas “inofensivas” discutindo sobre a possibilidade dos pombinhos serem assaltados, assassinados, esquartejados, ou sei mais lá o quê, dentro de um carro... e lá vem o detalhe: de vidros abertos. Nós queríamos apenas matar o desejo repentino de comer uma empadinha de camarão e palmito, quando apareceu um pivete, que provavelmente estava ali apenas querendo matar duas garotinhas.
“Passa o celular, passa o celular”. O cara apareceu do nada, de repente, no meio de nossa conversa filosofal sobre “A Problemática da Segurança na Barra”. Coincidência ou não, nós passamos de platéia a protagonistas. O elemento tinha até cara de mal, mas não tinha o principal: talento para a coisa. Na moral... até eu sou mais ladrona do que ele.
Enquanto ele nos ameaçava com uma “faca invisível”, repetindo atordoado, com os olhos cinzas (tipo o de Tempestade, do X-men) que iria esfaquear minha amiga, eu -com dois olhos- conseguia enxergar três coisas simultaneamente: a bolsa (que estava no banco de trás), a sinaleira e o ladrãozinho mal-treinado. Eu pegava a bolsa, utilizando minha super visão periférica para ver se a porra do sinal mudava logo para verde e, não sei como, conseguia observar se a tal faca existia de fato.
Pequeno detalhe: ele implorava pelo celular sem saber que Daphne acabara de sacar R$1.000. Médio detalhe: a grana estava na bolsa, no colo dela, a apenas alguns centímetros de seu alcance. Grande detalhe: ele era tão incompetente que disse: “o sinal abriu, mas nem pense em andar com esse carro.”
Ladrão burro do caralho! Se eu fosse ele teria pegado Daphne, sacudido pelos cabelos e ameaçava logo brutalmente: “Bora sinhás nigrinhas. Passa a desgraça do celular”. E vendo que as idiotinhas estavam conseguindo me despitar eu largava um: “Vamo miséria, passa o caralho da bolsa mesmo.” Diga aí? Eu ia ganhar mil conto fácil fácil sem precisar dizer que estava armada.
Pois é... Mas o cara era tão tapado, que antes de andar com o carro eu ainda me fingi de otária, abri a bolsa e procurei a porra do celular. Mas é claro que eu não ia dar pra ele de bandeja aquele maldito aparelhinho que ainda tem umas 10 parcelas de R$40 para eu pagar. A primeira coisa que apareceu na minha frente foi um pó compacto velho, esfatifado, que sujou minha bolsa toda de marrom. “Vou me livrar dessa sujeira,vou jogar no meio da cara desse idiota, e ele ainda vai pensar que eu joguei o celular”. Eu até que mirei, mas não acertei aquela cara de pau. Só sei que eu engatei a primeira, dei uma buzinadinha querendo dizer “vá tomar no cú seu otário” e fugi do ladrão mais inexperiente que eu conheci em toda a minha vida. Vai ver Daphne tinha razão: a Barra nem é perigosa!
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Para a dor, nem chá nem café

Tomou um copo de café que transbordava, assim como a noite eterna que viria por conta dos goles de insônia. Arrependeu-se tardiamente e enfiou uns goles de chá de camomila para neutralizar o efeito do estimulante. Nem a cafeína, nem o calmante natural. A dor, tão necessária quanto a vontade de vencê-la, era o bastante para que chegasse ao quarto dia sem pisar no quarto e intensa demais para ser distraída com um sonífero de jardim.
Desistiu de forçá-la. Esqueceu de esquecê-la. Sentou-se cuidadosamente no muro gelado de azulejo envelhecido e, como se já tivesse experimentado aquilo outrora, feriu-se na quina do assento improvisado. A dor transbordou feito o café e foi violenta como o dia em que partiram seu coração. O sangue era involuntário como o desgosto invisível que escorria do peito.
Da empoeirada maleta de emergência, tirou a agulha e a linha. Com a indiferença de quem já suportou dores mais intensas, fechou o espaço que fora aberto sem permissão com cinco pontos. Em alguns dias o corte na perna viraria apenas uma marca.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Eu sinto falta do cheiro de meu pai…
Uma vez, me arrumando para a escola, resolvi usar uma tiara no cabelo. O adorno era muito apertado...Apertava tanto, mas tanto, que chegou a me causar fortes dores de cabeça. Eu sabia que podia cessar aquela agonia simplismente retirando-o, entretanto, continuei com a tiara na cabeça e permiti o calvário da tortura.
''Meu pai, estou com fortes dores de cabeça'', reclamei.- Até hoje não se foi para chamar atenção dele, ou um simples motivo para faltar a aula.
Antes de tocar o sino do intervalo, minha professora me chama:
- Bárbara, seu pai está na porta querendo falar com você!
A dor de cabeça já tinha passado antes mesmo de chegar à escola. Me esqueci dela completamente...Corri nervosa e lá estava meu pai encostado na parede. Imaginei que ele teria feito um sacrifício danado no trabalho para ter notícias minhas. Foi a primeira vez que ele fazia algo do gênero:
-Larissa, você está bem? Passou a dor de cabeça?
-Sim, passou, já não sinto mais nada. - Respondi sem graça.
-Sim, passou, já não sinto mais nada. - Respondi sem graça.
Aí ele foi embora…
Depois disso fiquei com sentimento de culpa por ter feito ele sair do trabalho só para me ver. Isso foi em 1993, eu era alfabetização.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Enfim a cidade respira o inverno

Foto: google
Foi anunciado na semana passada, que hoje, terça-feira(18), seria primeiro dia de neve, ou pelo menos, o ensaio de início do inverno tão esperado por mim.
Acordei de manhã com pequenos flocos na janela, pus os pés gélidos fora cama e levantei ainda em estado de semi-consciência tentando crer no que meus olhos viam. Estiquei o braço na tentativa de fisgar algum floco com o dedo. A paisagem seca, mórbida e quase sem folha, anunciava a tímida chegada no inverno em um país que ainda respira o clima fervilhante de pós-eleição.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
A coisa mais linda que ouvi nos últimos anos...
Eu, uma quase-adulta insuportável, pergunto à minha prima de quatro anos:
-Rebeca, o que você quer ser quando crescer? ( existe pergunta mais infeliz do que esta? )
Rebeca, uma garotinha ingênua, temporariamente livre dos males da sociedade moderna, responde:
-Quero ser vendedora de sorvete! ( existe resposta mais pura do que esta?)
lindo, poético e invejável.
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